sábado, 10 de março de 2018

A psiquiatria como neurorreligação através da neuroplasticidade

Palavras-chave: neurorreligação, psiquiatria, psicoterapia, gene BDNF, meditação, neuropsicologia, psicologia, religião. 

Introdução. 
Escrevi diversos textos sobre o termo que cunhei, a neurorreligação, relacionado com as psicoterapias, meditações e até mesmo com as religiões. (1) Neurorreligação é o resultado de práticas mentais onde a pessoa fica neurorreligada, novamente ajustada, ligada com o mundo normal. Sobre a neurorreligação através das religiões é um tanto difícil de se explicar em poucas palavras (ver um breve resumo na "nota 02"). Só agora escrevo sobre a psiquiatria onde, confesso, já deveria ter escrito algo sobre o assunto porque, antes da descoberta da neuroplasticidade com os detalhes que chegaram até hoje para nós, os cientistas já sabiam que medicamentos farmacêuticos alteravam a funcionalidade das sinapses cerebrais, uma forma de neuroplasticidade baseada na modificação do funcionamento dos neurônios. 

Sou uma pessoa aberta para qualquer conversa em qualquer hora do dia e com qual seja a pessoa com quem eu estiver. Uma dona de casa, em um consultório, me disse da sua cura de uma depressão utilizando antidepressivos no período de oito meses, sendo que chegou a nem se levantar da cama e preparar o café da manhã, almoço e jantar para os filhos e marido, durante semanas, quando foi então que o marido acreditou que algo estava errado com ela. Também não recebia mais as amigas, não ia na casa delas e ficou indiferente ao sexo com o esposo.  Eles assumiram as tarefas rotineiras do lar enquanto ela se recuperava. 

Mais uma vez nos deparamos com aquelas três palavras essenciais na vida de qualquer pessoa: trabalho, social e afetividade. Ela voltou a essa vida normal, neurorreligada, interrompida por algo quase incontrolável como a depressão profunda. Uma neurorreligação porque o comportamento macro, visível, estava normal e devido a alterações em nível dos neurônios. 

Uma amiga me contou da sua impossibilidade de levantar da cama e ir até a geladeira, pegar um pedaço de bolo de chocolate, e comer à mesa pois estava com vontade, com fome. Mas veja, não era devido a algum problema de falta total de energia corporal ou um problema grave ligado aos próprios músculos: o sistema nervoso não a deixava! Não basta a energia oriunda dos alimentos. Para funcionar a nossa máquina corpórea faz-se necessário também um cérebro equilibrado! E pensar que ainda até hoje muitas pessoas não reconhecem a depressão como doença, chegando ao cúmulo de dizerem que se trata de má vontade ou algo parecido. Ela tomou um antidepressivo e pude vê-la em fotos na extinta rede social Orkut, depois da depressão, como me dissera, o quão bem ficou. As fotos eram de uma pessoa de bem com a vida, feliz, simpática, viajando, etc. 

Nem é preciso dizer que, basicamente, os antidepressivos aumentam os níveis de neurotransmissores nas fendas sinápticas ou promovem a inibição da  recapitação da serotonina como no caso da fluoxetina. Mas não é só isso. Tem-se a ampliação da  neurogênese e o combate da  diminuição do hipocampo, estimulada pelo stress,  sendo o aumento da neurogênese só conseguido com tratamentos prolongados com esses fármacos mas não com outros, nos mostrando a importância dos antidepressivos. No hipocampo, a substância antidepressiva tianeptina é quem bloqueia sua atrofia agindo nas células piramidais CA3.     
Existe um gene, o BDNF, do inglês "Brain-derived neurotrophic factor" (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro), agindo sobre os sistemas nervosos central e periférico, promovendo o crescimento e diferenciação de novos neurônios e sinapses e também no aumento dos neurônios do hipocampo.    

Na origem e/ou evolução dessa terrível doença silenciosa e arrasadora, cada vez mais se descobre a influência destrutiva do stress na neuroplasticidade e no apoptose. Os antidepressivos influenciam na sobrevivência dos neurônios e nas suas proliferações, duas das faces da neuroplasticidade. 

Dei exemplos de duas mulheres de cidades diferentes, vidas diferentes, acometidas pela depressão e se curando apenas com remédios. Pode-se recomendar também, em alguns casos, a ajuda das terapias. De qualquer maneira, os antidepressivos são muito úteis para a finalidade a que foram constituídos. 
       
Referências Bibliográficas: 
Filipe Arantes-Gonçalves, Rui Coelho. Depressão e Tratamento - Apoptose, Neuroplasticidade e Antidepressivos. Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental. Hospital de São João/Faculdade de Medicina do Porto. 2006. Disponível em: < https://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/download/910/583 >. Acesso em: 09/03/2018. 

Notas: 
1 – Veja os textos do meu blog "Neurorreligação" - < https://neurorreligacao.blogspot.com.br > 

2 – As práticas religiosas mexem com o emocional da pessoa, levando-a a uma melhora em sua vida de trabalho, social e afetiva, a essência da neurorreligação. Diz-se então que a pessoa está neurorreligada. Essas práticas religiosas promovem a neuroplasticidade em áreas cerebrais ligadas aos valores religiosos, tais esses criados pelo homem em diversas regiões do planeta, em todos os tempos, estabelecidos fortemente nas cabeças dos povos, e que por isso possuem muita força quando evocados. Inclusive não se tratando de entes divinos existindo realmente, mas só na imaginação das pessoas. Deus, Bíblia, os santos, orações como o Pai Nosso, Ave Maria, etc., na religião cristã católica, o mesmo para os evangélicos, mas sem os santos e só com a oração Pai Nosso, os deuses Bhrama, Vishnu, Shiva, Ganesh, etc., para o hinduísmo, etc., revelando o porquê da existência de dezenas de milhares de religiões já concebidas até hoje por nós humanos e atualmente por volta de dez mil! 
Para um esclarecimento melhor deste resumo, ver os meus textos no meu blog "O relativismo religioso – Como eu o vejo" < https://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/ >, onde eu coloquei os nomes dos textos básicos do assunto na primeira página.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Meditação e neuroplasticidade: maneiras de melhorar o seu cérebro

Palavras-chave: meditação, neuroplasticidade, cérebro, comportamento.

Introdução.
Nós não nascemos com o cérebro pronto para se desenvolver apenas nos primeiros anos de vida. Ele passará por muitos estímulos e se modificará de acordo com eles. Falo da hoje famosa neuroplasticidade em que os cientistas têm certeza de uma melhora em nossas vidas de acordo com as formas de estimulação cerebral. Este texto servirá como uma tabela ou resumo da relação entre várias áreas cerebrais e a influência da neuroplasticidade, pelas meditações, melhorando o comportamento das pessoas.

1 - Os lobos parietais
Bem-estar consigo mesmo e com as pessoas do seu convívio pessoal é um dos principais fatores para a felicidade. Mais auto-estima, menos ansiedade e depressão, mais empatia é o que se consegue com a meditação influindo em nosso lobo parietal com uma melhor conexão com as outras pessoas.

O neurocientista estadunidense Andrew Newberg percebeu em suas experiências que os lobos parietais de pessoas de controle em meditação entravam nos mesmos estados de quando não sentiam solidão, revelando essa prática como uma grande ajuda no tratamento desse sentimento tão negativo, capaz de trazer muitas consequências desagradáveis para qualquer pessoa.

2 - Corpo caloso equilibrado
O corpo caloso, você sabe, é o conjunto de nervos ligando os dois hemisférios cerebrais, direito e esquerdo. Pessoas com maior potencial em lógica, matemática, nas ciências, utilizam mais o hemisfério esquerdo, enquanto aquelas intuitivas que se dão muito bem nas artes e filosofias têm o hemisfério direito mais ativo.
 
Até aqui nenhuma novidade mas um estudo na UCLA, em 2012, descobriu que as pessoas mais bem-sucedidas utilizam as duas metades juntas, tendo os corpos  calosos mais volumosos, densos e fortes. É um maior equilíbrio entre os dois hemisférios juntos que confere a alguém um maior rendimento cerebral com pensamentos mais claros e profundos e melhor memória. É possível melhorar a comunicação entre os dois hemisférios cerebrais com a meditação, aperfeiçoando o corpo caloso no sentido de torná-lo mais denso, grosso, que é a base fundamental da comunicação entre os lados do cérebro.

3 - O hipocampo
Ele está ligado diretamente à memória e já se constatou que pessoas com depressão apresentam um hipocampo atrofiado. Um estudo de 2008, publicado no Neuroimage Journal - Elsevier, descreveu o resultado de uma experiência com meditadores em um período de oito semanas, onde seus hipocampos haviam crescido em tamanho, espessura e densidade. Já a neurocientista de Harvard, Sara Lazar, a primeira cientista a notar que a meditação promove a neuroplasticidade, percebeu também que os meditadores com cérebros saudáveis possuem um desenvolvimento também maior de seus hipocampos.

4 - Ínsula anterior “compassiva”
Pertencente ao sistema límbico, nosso centro das emoções, pode ter sua parte direita estimulada pela meditação. Mas ela é justamente a  região do cérebro mais  ativa na prática da bondade e na compaixão, estudada na Escola de Medicina da UCLA, em 2012, e também verificada em imagens na Universidade de Wisconsin. Cientistas acreditam em mudanças nas pessoas, tornando-as mais compassivas com as outras devido à meditação.  

5 - O momento presente do córtex cingulado posterior
A Dra. Sara Lazar, de Harvard, descobriu que essa região do cérebro fica desativada durante a meditação, ocorrendo uma atenção maior ao momento presente da pessoa. Reduzindo as preocupações com o futuro próximo e aborrecimentos do passado, auxilia no combate ao stress, na própria felicidade individual no dia a dia.

6 -  Meditação e inteligência emocional
Universidade de Illinois, 2013: uma descoberta colocou a região cerebral denominada de Junção Temporoparietal (TPJ) em posição de destaque com respeito às áreas cerebrais ativadas em estudos com a inteligência emocional. É possível “construir” uma TPJ robusta com a meditação. Na verdade, e com o que eu descrevi até este momento, dá para se falar em “esculpir” o cérebro com práticas como a meditação no sentido de melhorar a performance do nosso principal órgão do corpo.

7 - Amígdala
Pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts descobriram alterações nas densidades das amígdalas em um estudo com meditação de oito semanas,  provocando redução do estresse e medo em pessoas de controle. É conhecida a relação dessa região cerebral com o medo, a ansiedade e o estresse. Foi como se essas amígdalas enviassem menos informações que provocaria o medo nas pessoas.

8 - Córtex pré-frontal
Região cerebral importante na inteligência, o físico Albert Einstein possuía essa área com um tamanho maior do que o normal. Cientistas da Universidade Estadual da Flórida fizeram uma comparação do cérebro de Einstein com oitenta e cinco pessoas normais comprovando esse fato. Em 2005, mais uma vez citando Sara Lazar, ela concluiu que quanto mais tempo de meditação, maior era o córtex pré-frontal do meditador. E não só isso: menos depressão, mais força de vontade, maior poder de processamento de informação, menor ansiedade.

9 - Insônia
Meditação para a insônia, com presença de modificações estruturais em regiões cerebrais, a neuroplasticidade, foi observada no Hospital Geral de Massachusetts. Todos sabem que não só a quantidade de sono é relevante para uma noite com descanso mas também a qualidade do sono. A meditação aumenta a quantidade de melatonina no estágio principal do sono, o estágio REM, fazendo com que a pessoa acorde e tenha um melhor bem-estar emocional e físico.

É fantástica a influência da meditação em nosso cérebro, em tantas regiões com benefícios tão importantes. Mas tudo isso não seria possível sem os aparelhos de  observação cerebral como o PET, SPECT, fMRI e outros. Ainda se utiliza sistemas computacionais (ou programas de computadores) avançadíssimos para interpretarem o que esses aparelhos conseguem ler nas profundezas do cérebro.

 
Material de leitura:

Argos Arruda Pinto. A meditação como neurorreligação. Disponível em: < 
http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/a-meditacao-como-neurorreligacao.html
>. Acesso em 19-02-2018.

Argos Arruda Pinto. Neurorreligação. Disponível em: < 
http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/neurorreligacao.html
>. Acesso em: 19-02-2018.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A yoga como opção para o tratamento da ansiedade

Palavras-chave: neurociência, yoga, ansiedade, depressão, GABA, exercício físico.

O título deste artigo não revela nada de novo em termos de tratamentos psiquiátricos ou psicológicos mas três fatos acontecidos comigo fizeram com que eu me interessasse em escrever este texto: as recentes experiências (1) do professor de psiquiatria Chris Streeter, da Universidade de Boston, com praticantes de yoga, algo que escrevi há muito tempo atrás e um pequeno tratamento meu para ansiedade e insônia há mais tempo ainda.

Em 2001 eu tive o prazer de terem publicado o meu primeiro artigo sobre neurociência na revista Cérebro & Mente - www.cerebromente.org.br - de nome “A base material dos sentimentos”. (2)  Mas só que eu o havia escrito já em 1991 e não tinha onde publicar… Ficou dez anos engavetado até com a chegada da internet e quando descobri a revista em 2001.

Falei sobre depressão, ansiedade e remédios, citando o efeito de um ansiolítico, o Dalmadorm (flurazepam) sobre o sistema nervoso, em que, no caso, atuava “...aumentando o efeito de neurotransmissores inibitórios da resposta nervosa, como o ácido gama-aminobutírico - GABA.” Assim estava escrito em 1989, durante o tratamento, na bula do remédio e ele era ótimo para a ansiedade, insônia e também para a angústia, uma das piores dores mentais que o nosso sistema nervoso possa provocar. Hoje a mesma bula vem com a frase “inibe, em animais, a resposta tensional devido à estimulação elétrica do hipotálamo e eleva o limiar da excitação. No homem, o Dalmadorm prolonga a duração do sono, diminui o tempo de adormecimento assim como a frequência de despertares noturno.”

O professor Streeter e colaboradores utilizaram oito experientes praticantes de yoga com uma sessão de sessenta minutos e onze não praticantes realizando uma leitura qualquer durante o mesmo tempo. A ideia era simples, comparar os níveis de GABA antes e depois do yoga e de quem efetuou a leitura.

Escolheram como posturas do yoga a chamada asana ou ássana, palavra sãnscrita que significa “assento”. Um método muito utilizado aqui no ocidente devido à sua popularização através de pessoas famosas como Madonna e Sting.

Utilizando imagens espectroscópicas de ressonância magnética imediatamente antes e imediatamente após as sessões de ambos os grupos, os cientistas verificaram um aumento de 27% de ácido-aminobutírico nos praticantes de yoga e nenhum aumento no outro grupo.

Nas conclusões de Streeter e de seus colaboradores, nada como explorar o yoga como tratamento para transtornos de ansiedade e até depressão para distúrbios com baixa de GABA. E como o yoga é também uma forma de exercício, pesquisas futuras com muitos tipos deles poderão indicar quais serão mais apropriados para cada pessoa e sintomas  existentes.

Referências bibliográficas:

Ciraulo DA, Renshaw PF. Yoga Asana sessions increase brain GABA levels: a
pilot study. 2007. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17532734 >. Acesso em: 06/12/2017.

2 - Argos Arruda Pinto. A base material dos sentimentos. 2001. Disponível em: < http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html >. Acesso em: 06/12/2017
e
Argos Arruda Pinto. A base material dos sentimentos. Blog: Sistemas, Teoria da
Evolução, Neurociências. 2008. Disponível em: < http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/2008/01/base-material-dos-sentimentos.html >. Acesso em: 06/12/2017.

sábado, 18 de novembro de 2017

A consciência muda o cérebro com a neuroplasticidade

Palavras-chave: neurociência, neuroplasticidade, consciência.  

Em meu artigo “Psicoterapias, neuroplasticidade e alterações na consciência”, (1) eu comento o fato das depressões e outros desequilíbrios emocionais modificarem a consciência. Isto é chamado de relação de baixo para cima, ou seja, do cérebro para a consciência, e também existe a relação de cima para baixo: a consciência modificando estruturas cerebrais.

Esse segundo fenômeno é muito comum no dia a dia de muitas pessoas mas não comentado como acima. Citarei um exemplo, sem a necessidade de ser completo, que faz parte da bibliografia (2) em que me baseio este artigo:

“Na sexta-feira, às 06:30 da tarde, no dia 4 de agosto de 2006, aos 66 anos, sentado na mesa, segurando a cabeça com a mão direita, I.K. de repente caiu com o rosto na mesa. Ele não conseguiu mover a perna e o braço direito, nem poderia pedir ajuda, pois sua habilidade de falar foi perdida. Mais tarde, descobriu-se que sua artéria carótida esquerda foi obliterada e parou de fornecer sangue e oxigênio à metade esquerda de seu cérebro. I.K. experimentou um acidente vascular cerebral isquêmico desastroso: em poucos minutos, quase uma quarta parte do cérebro foi destruída, com as consequências dramáticas de uma paralisia do lado direito de seu corpo (hemiplegia), perda de capacidade de falar e compreensão (afasia) e incapacidade de escrever (agraphia).

Nesta situação difícil, I.K. ainda podia ouvir os médicos ao seu redor que discutiam sua situação. Naquela época os neurologistas podiam ver que I.K. sofreu graves danos estruturais e teve pouca esperança para sua recuperação. Mas, um ano depois, tornou-se evidente que I.K. tinha experimentado uma reabilitação inesperada. Quatro anos após o incidente, I.K. já podia tocar piano com a mão esquerda, escrever livros e poemas, pintar e exibir suas pinturas ao público.

O que aconteceu? Uma explicação potencial tinha a ver com o fato de que I.K. tinha um hemisfério direito excepcionalmente desenvolvido (o hemisfério intacto), que tinha sido aprimorado por anos por tocar piano e pintar em seu tempo livre. Não há dúvida de que essas atividades têm desempenhado um papel importante em sua recuperação surpreendente. Mas há uma segunda explicação adicional. Em um de seus poemas escrito após o incidente, I.K. apresentou sua decisão de realizar uma nova forma de vida: "Quero falar palavras de sabedoria, mas sei que minha boca vai me trair quando falo… Então, o que me resta? Tenho vontade de viver, não como eu quero, mas como posso". Essa decisão foi tomada apesar dos sintomas dramáticos que incluíram dificuldades na escrita, repetição de palavras, criação de novas palavras e muito mais. Foi uma decisão consciente que representou um ato de vontade e pode ser considerada a fonte de sua surpreendente reabilitação.

Vinte e dois dias após o acidente vascular cerebral ele criou a seguinte imagem, que mostra o polegar paralisado do braço direito parcialmente coberto por figuras de cabeças e uma parte vazia. A imagem demonstra sua luta para entender seu novo estado. Dois anos depois ele pintou uma cidade em uma metade de tabuleiro de xadrez, com as casas em cima das casas (posições das peças) do  xadrez, intitulada por ele como "Tabuleiro de xadrez", imagem de sua reabilitação.

Vale a pena notar que foram as capacidades linguísticas, de comunicação e de se expressar de I.K. que se recuperaram, e, menos ainda, suas habilidades motoras. O segredo desta transformação maravilhosa foi o seu poder de vontade e firme decisão de viver da melhor maneira possível, mesmo que severamente limitado. Um envolvimento de um efeito descendente da consciência sobre a neuroplasticidade de seu cérebro pode explicar a reabilitação de I.K., ao contrário de muitos outros em seu estado.”

Os principais componentes da consciência são a intencionalidade (3), autoconsciência, subjetividade e a vontade.

Veja a última palavra… vontade… ligada à…  força de vontade, uma de nossas expressões mais fortes, mais utilizada após adversidades onde queremos melhorar em algo, na superação de problemas, para chegarmos próximos a limites, etc. E é justamente quando no cérebro a consciência, a cognição e a memória são preservados, que podemos nos esforçar em alcançar objetivos considerados quase impossíveis para muitos. I.K. decidiu por lutar por uma vida,  mesmo que  restrita, mas da melhor forma que poderia encontrar. A consciência de I.K. estava presente em todos os momentos pelos quais passou desde o momento de sua decisão… consciente.

  
Referências Bibliográficas

1  - Argos Arruda Pinto. Psicoterapias, neuroplasticidade e alterações na consciência. 2017. Disponível em: <

2 - Jean Askenasy; Joseph Lehmann. Consciousness, brain, neuroplasticity. 2013. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3706726/  >. Acesso em: 18/11/2017.

3 - Argos Arruda Pinto. A intencionalidade como um dos comportamentos mais importantes da evolução e da psicologia evolucionista. 2016. Disponível em: <

sábado, 11 de novembro de 2017

Psicoterapias, neuroplasticidade e alterações na consciência

Palavras-chave: neurociência, depressão, consciência, psicoterapia, TCC.

Neurocientistas procuram atualmente relacionar mudanças na consciência, para compreendê-la melhor, a partir dos efeitos da psicoterapia, avaliando alterações no cérebro, a neuroplasticidade. Se as psicoterapias promovem modificações na estrutura e/ou no funcionamento de áreas cerebrais, a consciência deverá ser alterada também.

A consciência, sendo um ou vários estados cerebrais ao mesmo tempo, interligados, possui uma base física na qual se assenta: o cérebro. E assim também é a mente na qual a consciência é uma “parte” dela.

Possuímos uma tendência a considerar a consciência como algo imaterial, sobrenatural e, sendo assim, algumas pessoas dizem que processos físico-químicos, ou biológicos se você preferir, não produzem algo imaterial. “Nunca vimos nada físico produzir um estado imaterial”, eles dizem. Mas as psicoterapias conseguem mexer fisicamente com o substrato neural e, consequentemente, alterando o comportamento de uma pessoa, havendo assim mudanças na consciência. Mesmo em um exemplo simples, como uma pancada na cabeça a fazer com que alguém desmaie, também houve uma alteração na consciência, um desligamento, mostrando que ondas de choque mecânicas atuaram em níveis neuronais, de impulsos nervosos, íons, influindo fortemente na consciência a ponto de desligá-la.

Em outro ponto, o cérebro imutável, estático, cedeu lugar a outro dinâmico, onde qualquer aprendizado só é possível graças à neuroplasticidade que apenas de   algumas décadas para cá foi possível se perceber graças a instrumentos eletrônicos sofisticados. PET, SPECT, iFMR são algumas siglas já conhecidas nesse campo.

A CBT (ou TCC) é uma das terapias mais poderosas nesse processo de avaliação de modificações na consciência, embora a psicoterapia psicodinâmica também produz resultados semelhantes apesar de suas abordagens diferentes. Talvez as duas funcionam pois dessa maneira porque buscam finais comuns. Mas a TCC é ainda preferida dos cientistas, mexendo  com as emoções, sentimentos, comportamentos, etc., avaliando mudanças em que, por exemplo, uma área de sintoma como da cognição, é acompanhada por mudanças em outras áreas de sintomas como comportamentos e emoções.

Assim, analisando atividades cerebrais antes e depois da TCC em depressões, verificou-se modificações em áreas do sistema límbico, o córtex pré-frontal dorsolateral e áreas cinguladas. Algo até surpreendente pois poucas áreas do cérebro se alteraram e, com isso, alteraram a consciência. Poucas áreas mas importantes. Houve  diminuição da atividade no sistema límbico, especialmente a amígdala, com o córtex pré-frontal dorsolateral tornando-se relativamente mais ativo.

A depressão produz modificações nos comportamentos dos indivíduos que vão desde uma tristeza onde sair,  tirar férias, se desprender de preocupações do dia a dia, possam levar a um melhoramento de seus sintomas, com até modificações em que eles fiquem abatidos, sem forças para o trabalho, para continuarem com suas vidas sociais, e até permanecerem literalmente prostrados em suas camas.

Aqui eu abro um parênteses para um exemplo no qual eu mesmo fui o protagonista de uma depressão profunda onde, por três anos, mais ficava em minha cama do que de pé! Mesmo com um antidepressivo, a clomipramina, eu ficava deitado o dia inteiro e só tinha energias para me levantar, pasme, por volta das seis horas da tarde. Às vezes levantava ao meio-dia e ia resolver alguns compromissos. Dormia minhas sete a oito horas comuns de sono, me alimentava, tomava banho e até saía, mas muito triste.

Então posso dizer de uma mudança de consciência a qual fui submetido. Eu não falava para o médico sobre essa situação; eu não chegava a ele e dizia que o remédio e/ou a dosagem estavam errados; e não por que não queria e sim porque minha consciência não me permitia, onde eu havia perdido grande parte dela  esquecendo da minha vida anterior, social, afetiva e de trabalho. Foi algo onde se mostra um dos lados mais nefastos da depressão: a pessoa sem consciência do que ocorre, podendo levá-la a comportamentos destrutivos.

Acabei por mudar de cidade e de médico. Foi-me receitado a fluoxetina - o prozac - e, em apenas oito dias, eu levantei da cama às sete horas da manhã, tomei um banho e saí. O que é a química cerebral…

Hoje estou muito bem e a fluoxetina possui uma ação muito bem conhecida: ela segura o chamado neurotransmissor transportador que não deixaria a serotonina realizar com eficácia as suas sinapses, levando-a de volta à membrana pré-sináptica. A famosa frase: “inibidor seletivo da recaptação da serotonina.”  


Referência Bibliográfica

Daniel Collerton. Psychotherapy and brain plasticity. 2013. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3764373/ >. Acesso em: 11-11-2017.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A máquina de ler pensamentos está próxima de ser construída

Palavras-chave: neurociência, fMRI, pensamento, neurônio, leitura

De onde vêm os nossos pensamentos? Como eles são? Algo está bem claro entre os cientistas: atividade elétrica dos neurônios ou impulsos nervosos se você preferir. Mas não uma atividade como em um fio metálico a carregar um celular: elétrons em número muito grande se movendo pelo fio. Aqui falamos de íons, átomos carregados eletricamente em movimento, axônios como fios, sinapses, que são uma ponte química entre um neurônio e outro. E para qualquer célula funcionar e realizar suas tarefas, faz-se necessário a presença de oxigênio na molécula de hemoglobina, com o sangue levando essas moléculas para o oxigênio sofrer uma reação de combustão com carboidratos, açúcares, e gerar energia para a célula. E o neurônio não foge a essa regra. Onde,  nas regiões cerebrais que estiverem mais ativas, são justamente aquelas com maior presença de sangue devido ao fornecimento de oxigênio.

A presença de oxigênio na hemoglobina faz com que esse pequeno conjunto se torne, na linguagem da Física, paramagnético, uma condição em que um campo magnético externo possa interagir com um pequeno campo também magnético produzido por esse conjunto.

Existe um aparelho eletrônico sofisticado para tanto, de sigla fMRI -  Imagem por Ressonância Magnética Funcional - capaz de detectar o campo magnético do sistema oxigênio-hemoglobina e, através de um scaneamento, obter dados de quais regiões cerebrais estarão funcionando com maior intensidade.

A quantidade de informações obtidas por esse tipo de scanner requer um apoio de um sistema de localização e investigação dessas informações que recebe o nome de Machine Learning, ou, em português, aprendizado de máquina. Esse aprendizado visa relacionar o próprio aprendizado humano a proporcionar a inteligência em computadores, a inteligência artificial. Um tipo de método para se trabalhar com Machine Learning é o MATLAB, um programa computacional, abreviação de MATrix LABoratory mas que para profissionais de saúde não é tão apropriada. Outro, com muito maior eficácia a decodificar informações de padrões de atividade cerebral é o MVPA, sigla de “Multi Voxel Pattern Analysis”, Análise de Padrões MultiVoxel.    

O fMRI realiza um scaneamento cerebral obtendo dados a cada dois ou três segundos com uma pessoa dentro de uma caixa cilíndrica com um poderoso eletroímã. O campo magnético gerado por esse eletroímã chega a ser 30.000 vezes maior que o campo magnético da Terra.

É informado à pessoa para pensar, por exemplo, em uma casa, enquanto o scanner trabalha. Depois em um sapato e assim por diante. O cérebro forma padrões desses objetos de análise que, no futuro, serão reconhecidos quando não for solicitado à pessoa pensar neles e ela pensar… É difícil se concentrar em uma palavra só todo o tempo e por isso outros pensamentos, objetos, são também percebidos e constituem o que se chamam de ruídos, interferências. Repetindo várias vezes o processo, os cientistas conseguem chegar nas palavras por eles ditadas.  Pronto, já temos uma “leitura de mente” mas com substantivos, ou seja, objetos concretos. Assim que se for aprimorando as “Machines Learning’s”, adjetivos, palavras comuns como pronomes, advérbios, etc., os pensamentos das pessoas serão compreendidos como frases, que é o princípio do processo da linguagem, até com detalhes como intenção, mentira, sinceridade, etc.

Talvez isso demore ainda um tempo mas já podemos vislumbrar alguma  aplicação prática de imediato.

Um delegado pergunta a um sujeito onde ele estava em certo dia e horário quando da ocorrência de um assassinato. Ele se esforça em imaginar a sala da casa dele, vendo televisão com um amigo, o seu álibi. Mas ele é o criminoso e pelo fMRI seus pensamentos vêm de áreas específicas da imaginação. Se ele por um instante se lembrar, o que realmente poderá acontecer ainda mais pelo cansaço da investigação, o rosto da vítima, o local do crime, o som do disparo da arma, etc., será denunciado pois só ele viu esses padrões vindos dos ângulos e da própria luz que entraram em seus olhos e foram processados pelo lobo occipital antes de passarem para a memória. E mesmo se ele for um super-homem, capaz de apenas imaginar a sala da casa com o amigo e a televisão, será também denunciado pois estará utilizando somente a imaginação!

Este é apenas um exemplo simples da quantidade de situações e fatos a serem analisados com pessoas nas mais diversas sociedades do mundo inteiro.

Bandidos e políticos corruptos que se cuidem!


Bibliografia

SILVA, Laura Angélica Tomáz. Ferramenta experimental para análise de padrões de atividade cerebral. 2015. Disponível em: < http://repositorio.roca.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/5629/1/PB_COADS_2015_2_03.pdf >. Acesso em: 03/11/2017.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Psicoterapia, neuroplasticidade e neurorreligação

Introdução.
Neste artigo eu relaciono diretamente a psicoterapia com a neuroplasticidade, mudanças estruturais e/ou funcionais no cérebro, porque é neste ponto que os diversos tipos de sessões com psicólogos irá ajudar a recuperação de pacientes com problemas emocionais dos mais diversos.

Uma ou várias rotas neurais estão ativadas, ou seja, transmitindo correntes elétricas nervosas, ao você ver um cão se dirigindo em sua direção. Elas estimulam regiões cerebrais liberando substâncias químicas em sua corrente sanguínea como a adrenalina, aumentando seus batimentos cardíacos e aumentando a quantidade de sangue oxigenado, deixando-o pronto para correr ou enfrentar o cão. Mas você está também com medo, possui esse medo desde criança quando fora atacado e mordido por um deles e nem se lembra desse fato.

Este é um exemplo clássico de fobia na Psicologia onde a psicoterapia poderá ajudá-lo pois o animal em questão não é nada grande e seu pânico chega a ser absurdo até para você! E como ela poderá ajudá-lo? Através de sessões semanais em conversas com um profissional, um psicólogo.  Com o tempo o medo passa melhorando o seu estado emocional até em lidar com cachorros.

E o quê aconteceu de verdade?

Primeiro temos que recorrer à neuroplasticidade que é a capacidade do cérebro de se reorganizar, mudar mesmo em estruturas microscópicas, conforme estímulos do meio ambiente chegando pelos nossos sentidos e sendo processados.

Alguns fenômenos podem acontecer como o brotamento de axônios ou brotamento axonal, a mudança no número, disposição espacial, densidade de espinhas dendríticas e comprimento de dendritos a receber impulsos nervosos   e  os receptores de neurotransmissores sofrerem alterações em tipo ou número. E também o aprendizado está relacionado com tudo isso, como apareceu em uma fotografia microscópica de um estabelecimento contínuo, ou ao mesmo muito duradouro, de sinapses através de uma grande quantidade de neurotransmissores entre elas. Foi com um camundongo de laboratório, em uma experiência na década de 90 e postada por um jornal de grande circulação nacional, quando aprendeu  o caminho correto a levá-lo a um pedaço de queijo.

O cérebro é um órgão em constante mudanças estruturais. São muito pequenas em sua grande maioria e só com o desenvolvimento de aparelhos eletrônicos sofisticados como a tomografia por emissão de fóton único (SPECT), a tomografia por emissão de pósitrons (PET), a ressonância magnética funcional (fMRI), a ressonância magnética espectroscópica (MRS) e o NIRS (espectroscopia no infravermelho próximo) é que foi possível aos cientistas perceberem fatos antes desconhecidos.

O que se pode explicar bem resumidamente até agora é o fato de uma ou mais rotas neurais, onde são percorridas por impulsos nervosos a chegarem em regiões cerebrais liberando substâncias como descrito no primeiro parágrafo,  onde você ficava desesperado ao ver um cão, tendo agora rotas diferentes devido à neuroplasticidade e desviando os impulsos a outras regiões amenizando seus problemas ao liberarem outras substâncias.

Os estímulos externos, em sua psicoterapia, capazes de realizar tais efeitos foram as conversas com o psicólogo. Você pode, por exemplo, ter se lembrado do ataque do cão quando criança, sendo essa lembrança crucial nas modificações neurais descritas acima, pois uma tomada de consciência como essa irá alterar e demais as suas memórias, emoções e sentimentos, influindo em seus circuitos neurais.

Então, esse é o fenômeno da neuroplasticidade mas a história não para por aqui.

Imagine agora alguém com depressão. Grosso modo é uma grande diminuição da atividade neurônica na pessoa. Fendas sinápticas sem sinapses, sentimentos e emoções negativos dos mais diversos tais como autocomiseração, falta de sentido na vida, angústia, ansiedade, etc.; sentimentos esses que poderão levar tal pessoa ao suicídio. E veja que todos esses sintomas negativos apareceram depois de tal doença, ou seja, não estavam no script com relação ao (s) problema (s) central (is) que levou (aram) à doença, até que um dia os cientistas perceberam que eles apareceriam mesmo, sempre.

Digamos que remédios e psicoterapia são recomendados a esse alguém tão fragilizado, física e emocionalmente, perdendo momentaneamente sua vida social, de trabalho e afetiva (gosto de citar em meus artigos essas três palavras pois resumem 100%, ou algo próximo a isto, nossa vida diária, comum…). Com o tempo o humor, a vontade de viver, a alegria, começam a fazer parte da vida dessa pessoa como antes da depressão, da tristeza, da angústia, etc.

Houve reversão nas anormalidades estruturais ou funcionais associadas a uma certa sintomatologia antes da terapia; em outras palavras, a psicoterapia pode amortecer a estrutura e a função do cérebro, a "psicologia da normalização". Pode também ocorrer que a terapia pode levar a mudanças compensatórias em áreas do cérebro que não apresentaram funções alteradas antes da terapia. São normalizações de padrões anormais de atividade, onde, muitas vezes remédios e psicoterapia juntos podem não surtirem efeitos desejados mas somente uma prática dessas. (1)

É já famosa a experiência com neuroimagens em motoristas de táxis em Londres pois eles passam por um “curso” de dois anos aprendendo sobre o mapa da cidade, ruas, avenidas, pontos turísticos, pontes, igrejas, etc. Eles apresentam um aumento no hipocampo posterior onde é justamente a região cerebral responsável pelos pensamentos, imaginação e memória em três dimensões. (2)

A neuroplasticidade aparece onde há aprendizado, estímulos externos produzindo emoções e sentimentos e, neste caso, como eu falei especificamente da depressão, se a pessoa voltar a ter sua vida social, de trabalho e afetiva de volta, eu chamo de neurorreligação.

Não é à toa que a densidade do cérebro é muito pequena, beirando 1,3 g/cm3,  próxima a da água, 1,00 g/cm3. Modificar uma estrutura bastante gelatinosa é bem mais fácil que outra bem mais rígida.


Bibliografia:

1 - Barsaglini A., Sartori G., Benetti S., Pettersson-Yeo W., Mechelli A. The effects of psychotherapy on brain function: a systematic and critical review. Prog. Neurobiol. 2014 Mar. Disponível em < https://f1000.com/prime/718292548 >. Acesso em: 22/09/2017.

2 - Eleanor A. Maguire, David G. Gadian, Ingrid S. Johnsrude, Catriona D. Good, John Ashburner, Richard S. J. Frackowiak, and Christopher D. Frith. Navigation-related structural change in the hippocampi of taxi drivers. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC18253/ >. Acesso em: 22/09/2017.